Viver é como andar de bicicleta. É preciso estar em constante movimento para manter o equilíbrio.

Albert Einstein

terça-feira, 13 de março de 2012

A Pilita alentejana

















Rija, enquanto durou...
Agora q'amolengou
e antes q'a morda a cobra,
Vou atá-la c'uma corda
Pra ela nã me fugiri.

Preciso da sacudiri,
Leva tempo pá'cordari...
Já nem se sabe esticari.

Más lenta q'um caracoli,
Enrola-se-me no lençoli...
Ninguém a tira dali.

Já só dá em preguiçari,
Nada a faz alevantari.
E já nã dá com o monti,
Nem água bebe na fonti.

Que bich'é que lhe mordeu?
Parece defunta, morreu.

Deu-lhe p'ra enjoari,
Nem lh'apetece cheirari.
Jovem, metia inveja,
Com más gás q'uma cerveja,
Sempre pronta p'ra brincari.

Cu diga a minha Maria,
Era de nôte e de dia.

Até as mulheres da vila
Marcavam lugar na fila,
P'ra ê lha poder mostrari !
Uma moura a trabalhari,
Motivo do mê orgulho.

Fazia cá um barulho !
Entrava pelos quintais,
Inté espantava os animais.

Eram duas, três e quatro,
Da cozinha até ao quarto
E até debaixo da cama.

Esta bicha tinha fama !
Punha tudo em alvoroço,
Desde o mê tempo de moço.

A idade nã perdoa,
Acabô-se a vida boa !
Depois de tanto caçari,
Já merece descansari.

Contava já mê avô:
"Niuma rata lhe escapou !"
É o sangui das gerações.
Mas nada de confusões,

Pois esta estória aqui escrita,
É da minha gata, a Pilita !

(popular alentejano)

Sem comentários:

Enviar um comentário